Airbus prepara o A322 para ser antídoto do Boeing 797

Fabricante europeia aguarda repercussão do lançamento informal do 797 para tirar da prancheta uma versão alongada e com maior autonomia do A321neo

Enquanto a Boeing colecionava encomendas e conversões do 737 MAX 10, variação lançada durante o Paris Air Show, a fabricante americana aproveitou para lançar no ar um novo projeto: o Boeing 797.

A aeronave, segundo a empresa, preencheria a lacuna entre o próprio 737 MAX 10 e o 787. Nas palavras da Boeing, “teria capacidade para entre 220 e 270 passageiros para voos de até 5.200 milhas náuticas [9.600 km], ou pouco mais de 10 horas”.

O interessante é que a fabricante, de certa forma, já tem em seu portfólio esse avião. O Boeing 787-8 é bastante flexível. Prova disso é que tem voado por algumas empresas com capacidade a partir de 169 passageiros. E vai um pouco além ainda dos 270 assentos que seria o limite do Boeing 797.

A capacidade, portanto, não seria o principal diferencial.

Os custos operacionais, com certeza. Afinal essa nova aeronave, saindo da prancheta, já viria com os avanços alcançados nos projetos mais recentes da fabricante, desde materiais compostos até motores mais econômicos. E levando-se em conta que o Boeing 797 voaria a partir de 2025, teria mais ganhos tecnológicos.

Além disso, a empresa buscaria mais conforto em relação aos 737 e menor custo operacional na comparação com o 787. Especialmente para rotas de média distância e de alta demanda.

É nisso que a Boeing aposta e que espera ser uma demanda das companhias aéreas, que buscam há tempos um substituto aos 757, que opera nessa faixa, mas já envelhecido.

E a Airbus?

A Airbus, principal concorrente da Boeing, tem trabalhado de forma silenciosa em uma aeronave similar ao que seria o 797. E pode acabar se aproveitando desse lançamento da fabricante americana.

A empresa europeia agora aguarda a repercussão do que as companhias aéreas pensam do 797. Se a resposta for positiva, a Airbus lançará mão do A322.

O trunfo da Airbus é que esse avião não precisaria ser projetado do zero. Ele já existe e seria uma variação mais longa e com maior autonomia do A321neo. Portanto, exigiria menos tempo de desenvolvimento e um custo bastante inferior. Sem contar que o preço de mercado seria mais baixo para as companhias aéreas.

Fica claro que esse mercado deixado pelo Boeing 757 tem seus órfãos. Não fosse assim nem Boeing nem Airbus estariam atentos e com seus projetos em andamento, mesmo que com visões diferentes e em fases distintas.

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