ARJ21-700: o obstáculo da Embraer na China

No mais recente documento de perspectivas de mercado, apresentado em junho deste ano, a Embraer apontou que as companhias aéreas da Ásia e do Pacífico vão precisar de 510 novos aviões para o segmento de 70 a 90 passageiros entre 2017 e 2036.

É exatamente esse filão que a fabricante brasileira ainda não conseguiu se inserir na região, especialmente na China, mercado que mais tende a crescer nos próximos anos.

Hoje, a companhia tem voando no país os E170 e E175 com capacidade para 78 e 88 passageiros, respectivamente. E aposta no E175-E2, aeronave da segunda geração da família de E-Jets, para suprir a demanda no segmento.

Por enquanto nenhuma companhia aérea chinesa se interessou por qualquer uma dessas aeronaves, mesmo que o país tenha cerca de 100 aviões brasileiros operando na faixa acima dos 90 assentos. Sem contar as centenas de jatos para até 50 passageiros em serviço.

Essa dificuldade de entrar no segmento de 70 a 90 passageiros também responde por ARJ21-700, aeronave de fabricação chinesa. De uma estatal chinesa, diga-se, chamada Comac.

O avião, com capacidade para 90 assentos, recebeu neste mês o certificado de produção, o que permite que seja produzido em série e entregue sem restrições no país. É o que faltava para a Comac colocar no mercado as 413 encomendas pelo ARJ21-700. A carta de clientes é composta quase que na totalidade por companhias aéreas chinesas.

Por isso, o esforço da Embraer na China para emplacar o E175-E2, que entrará em serviço em 2021, vai precisar ser ainda mais forte.

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