Antonov é liquidada pelo governo da Ucrânia

O governo da Ucrânia decidiu na última quarta-feira (19) acabar de vez com a Antonov, uma das mais tradicionais fabricantes de aviões do mundo.

A resolução nº 546 definiu a criação de uma comissão especial para, em três meses, liquidar a empresa e acertar eventuais débitos com credores. Quem vai liderar a comissão é o ministro de Desenvolvimento Econômico e Mercado, Yury Brovchenko.

Dr. Roze

A decisão não deve interferir na produção das aeronaves, já que a empresa está inativa desde 2015, quando foi incorporada pela estatal ucraniana Ukroboronprom. Os últimos dois aviões produzidos (um An-148 e um An-158) foram entregues no ano passado.

Plano soviético

O fim da Antonov é também o fim de uma era na aviação mundial. Nascida em 1946 como um projeto secreto do governo soviético, a empresa se mudou para Kiev em 1952, quando passou a produzir em série aeronaves para os segmentos militar, comercial, carga e operações específicas, como combate a incêndio e transporte de ônibus espacial.

Ao longo de 70 anos, a companhia que inicialmente foi comandada por Oleg Antonov, construiu ícones da aviação. A começar pelo primeiro avião que saiu das instalações da Antonov, o An-2, um biplano que ainda voa em algumas regiões do mundo.

A aeronave de maior sucesso foi o An-12, com 1.248 unidades produzidas. O quadrimotor ainda é largamente utilizado em países da Comunidade dos Estados Independentes, da África e da Ásia.

No segmento comercial, a Antonov não conseguiu emplacar. Os jatos An-148 e An-158 com capacidade para 85 e 99 passageiros, respectivamente, passaram longe de ser um sucesso. Somente 42 aviões dos dois modelos foram produzidos, e entregues principalmente para o governo da Rússia, Cubana de Aviación e Air Koryo (Coreia do Norte).

Gigantismo da Antonov

Durante a década de 1980, empresa projetou e produziu o An-225 Mriya, um avião com seis motores, que inicialmente serviria para transportar o ônibus espacial Buran. Acabou servindo mais para missões militares da antiga União Soviética.

E após oito anos encostado, foi reativado para o transporte civil de cargas pesadas, operado pela Antonov Airlines. O único exemplar, de matrícula UR-82060, ainda voa pelo mundo. No Brasil, teve apenas duas passagens. Na mais recente, em 2016, pousou em Viracopos e Guarulhos.

O An-225 é considerado o maior avião civil do mundo, tanto em comprimento como em envergadura.

Além do An-225, a Antonov produziu outro gigante. O An-124 é um dos principais aviões de transporte de carga pesadas no mundo. Com 55 exemplares produzidos, a aeronave ainda voa militarmente na Rússia e para carga aérea em quatro operadores diferentes.

Existia a possibilidade de o An-124 continuar sendo produzido após a Antonov assinar um acordo com russa United Aircraft Corporation (UAC). As tensões com a Ucrânia, entretanto, congelaram o projeto.

Gustavo Ribeiro
Fundador e editor-chefe do AviaçãoJor.

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