Brexit e aviação: easyJet se antecipa e já voa como europeia

O voo EZY62GN realizado na manhã desta quinta-feira (20) entre Londres e Viena seria apenas mais um de centenas que a easyJet opera diariamente, não fosse por uma particularidade: a matrícula da aeronave, de um Airbus A320, carrega o registro da Áustria.

O avião de prefixo OE-IVA é o primeiro de 110 outros que serão transferidos da companhia para a recém-criada unidade easyJet Europe. Uma resposta ao Brexit, processo de saída do Reino Unido da União Europeia.

Sem um certificado de operação de um país do bloco europeu, a easyJet não poderia realizar voos entre países membros. A companhia já tem outra filial da empresa na Suíça, mas o país também não faz parte da União Europeia. Por isso a low cost buscou a licença na Áustria e criou uma nova divisão.

A reestruturação é uma antecipação da easyJet diante da incerteza do que ocorrerá em março de 2019, a data limite do Brexit. Por enquanto o Reino Unido não chegou a um acordo com as companhias aéreas que as permitissem voar também dentro dos 27 estados membros da Comunidade Europeia.

Ameaça ao Brexit

O principal empecilho é que as empresas precisam ser majoritariamente compostas por sócios europeus. Não é o caso, por exemplo, da Ryanair, a maior companhia aérea low cost do Reino Unido.

Na última semana, o CEO da empresa, Michael O’Leary deu um ultimato às autoridades britânicas. O discurso no Comitê de Transporte e Turismo do Parlamento Europeu, em Bruxelas, teve um tom de ameaça.

“Existe uma possibilidade real, e precisamos lidar com o fato de que não haverá voos entre o Reino Unido e a Europa por um período de semanas, meses, antes mesmo de março de 2019.”
Michael O’Leary, CEO da Ryanair.

O executivo chegou a falar que os aeroportos, durante o período de férias, ficarão vazios e que os aviões da empresa serão transferidos para a Europa, em um mesmo movimento que a easyJet fez.

O’Leary quer evitar a venda de cotas dos sócios britânicos para se enquadrar à legislação. E nem o poderia fazer, visto que, assim como outras companhias aéreas europeias, a Ryanair tem cláusulas no contrato de associação que proíbem a venda de ações de sócios não europeus para garantir maioria.

Hoje a Ryanair é 53,6% europeia, mas isso já contando os 20% de sócios britânicos.

A própria easyJet, apesar de já ter certificado europeu, mantém as negociações para que o Reino Unido altere a legislação para não impactar na atividade das empresas low cost.

“Assim como todas as outras companhias aéreas europeias, nós continuamos trabalhando por um acordo que permite, pelo menos, que sejam realizados voos entre a União Europeia e o Reino Unido.”
Carolyn McCall, CEO da easyJet.

Gustavo Ribeiro
Fundador e editor-chefe do AviaçãoJor.

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