Embraer tenta adequar E175-E2 para operar nos Estados Unidos

Cláusula atual de contrato entre pilotos e companhias aéreas impede que aeronave opere em empresas regionais

A Embraer está confiante que limitações em acordos entre pilotos e companhias aéreas nos Estados Unidos serão contornadas para permitir que o E175-E2 opere como aeronave regional no país.

A nova geração do E175 tem capacidade para 80 passageiros, quatro a mais que o atual modelo. Essa mudança aumentou o peso máximo de decolagem do avião, de 39.010 quilos para 44.800 quilos, ultrapassando o limite exigido em acordos trabalhistas.

O mercado norte-americano tem essa peculiaridade. As aeronaves regionais são operadas por empresas contratadas pelas companhias aéreas maiores para alimentarem a malha principal. American Airlines, Delta Air Lines e United Airlines trabalham dessa forma.

A chamada ‘cláusula de escopo’ protege pilotos das grandes aéreas, impedindo o uso de aviões maiores em rotas regionais que são terceirizadas. As empresas contratadas, em geral, oferecem condições de trabalho inferior.

Para emplacar o E175-E2 nos Estados Unidos, a Embraer vai precisar convencer os sindicatos de pilotos a aumentar o limite de peso máximo de decolagem.

Nas negociações anteriores, a fabricante brasileira saiu derrotada, tanto que precisou adiar a previsão de operação inicial da aeronave de 2020 para 2021.

“Sim, nós sabemos que [o E175-E2] não atende ao escopo. Sim, nós vamos fabricar o avião. Sim, ele vai operar a partir de 2021.”
Charlie Hills, vice-presidente de Vendas para a América do Norte da Embraer, durante a Convenção Anual da Associação de Companhias Aéreas Regionais (RAA, na sigla em inglês).

O executivo espera que mudanças na ‘cláusula de escopo’ que atendam às necessidades da Embraer ocorram nos próximos cinco anos, ou seja, um ano após o E175-E2 entrar em operação.

Essas limitações têm impedido as vendas do E175-E2. Até o último relatório da Embraer, referente ao segundo trimestre de 2017, a aeronave tem 100 encomendas por parte da Skywest, companhia que opera para Alaska Airlines, American, Delta e United.

Ao mesmo tempo, o impasse esticou a produção da atual geração de jatos regionais, especificamente o E175. Até junho, a aeronave tinha 65 pedidos firmes para serem entregues. No início deste mês, a Embraer anunciou a venda de outras 25 unidades para a Skywest.

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