Flybondi: quem é a low cost que quer duplicar a aviação na Argentina

Empresa fundada pelo suíço Julian Cook tem aporte de mais de US$ 75 milhões e planos ousados que incluem voos para o Brasil

Um plano ambicioso move a Flybondi: transportar 10 milhões de passageiros até 2021 e duplicar o mercado da aviação comercial da Argentina.

O tamanho dessa aspiração está no rol de investidores, a começar pelo fundador e CEO da empresa. O suíço Julian Cook levantou a Flybaboo em 2003 e foi diretor da AviaSolutions/GE Capital Aviation Services antes de desembarcar no país portenho.

Ao lado dele estão nomes envolvidos com o transporte aéreo na Europa e na América do Norte, como Montie Brewer (ex-CEO da Air Canada), Michael Cawley (ex-COO da Ryanair) e Mike Powell (ex-CFO da Wizzair).

Sem contar dois grupos de investimentos. Um deles, o Cartestian Capital Group, que liderou parte do levantamento inicial de capital para a Gol em 2001.

“Os projetos que [Powell, Cawaley e Cook] desenvolveram durante décadas levaram a enormes melhorias e brindaram uma maior conectividade ao redor do mundo. Agora trazem esse modelo para a Argentina, onde o mercado está no momento indicado para recebê-lo.”
Peter Yu, diretor da Cartesian Capital Group, e que trabalhou na Gol.

Tanto os sócios individuais como os grupos já injetaram mais de US$ 75 milhões na Flybondi.

Julian Cook é o CEO da Flybondi (Foto: Divulgação)
Julian Cook é o CEO da Flybondi (Foto: Divulgação)

Ideia antiga

O plano de Cook para instalar uma low cost na Argentina era antigo. Mas faltavam condições competitivas para realizar o projeto. Dominado pelas Aerolíneas Argentinas, o mercado não se abria a novas empresas.

“Houve uma mudança de governo na Argentina e uma decisão política de gerar um mercado comercial da aviação mais competitivo, e de ter um país melhor conectado, já que há muito pouco incentivo para voar.”
Flybondi, em comunicado enviado ao AviaçãoJor.

A mudança tem nome: Mauricio Macri. Eleito presidente do país em 2015, avançou com um Plano Aerocomercial, permitindo a instalação de novas companhias e distribuição de rotas domésticas e internacionais.

O próprio presidente, de certa forma, foi beneficiado pelo plano. A MacAir Jet, de propriedade da família Macri, foi vendida para a Avianca Holdings no início deste ano e já recebeu autorização para operar.

Da mesma forma, a Flybondi foi autorizada no primeiro semestre a voar e desde então se movimenta para iniciar os voos ainda em 2017. Na audiência pública realizada em junho deste ano que distribuiu as rotas, a companhia abocanhou 85.

Limitações

Apesar dos avanços do Plano Aerocomercial, há um aspecto que as companhias low cost, incluindo a Flybondi, ainda precisam se adequar. Na Argentina, há um sistema estabelecido em 2002 que impõe um preço mínimo para as tarifas aéreas. O que o governo Macri fez foi retirar apenas o teto.

Assim, as novas companhias não poderão praticar preços abaixo, por exemplo, do que os da Aerolíneas Argentinas, empresa que pertence ao governo.

“Estamos liderando conversas com o governo e todos os stakeholders para explicar as oportunidades de um estímulo ao mercado aéreo com a retirada do piso da tarifa mínima.”
Flybondi, em comunicado.

Enquanto essa questão não avança, a Flybondi aposta nos pilares básicos das companhias aéreas de baixo custo para conseguir pelo menos oferecer passagens com o preço mínimo:

– Utilização de frota única;
– Uso intenso das aeronaves (12 horas por dia);
– Otimização dos tempos de escala;
– Máxima capacidade dos aviões;
– Segmentação de produtos e serviços.

Plano de frota

Seguindo o primeiro pilar das low costs, a empresa definiu o Boeing 737-800 como o avião ideal. Com capacidade para 189 passageiros, é a aeronave padrão, por exemplo, na Ryanair.

“Estamos convencidos de que o Boeing 737-800 é a aeronave indicada para desenvolver nosso modelo low cost na Argentina.”
Julian Cook, CEO da Flybondi.

Em maio deste ano, a companhia assinou um contrato de leasing para a primeira aeronave. A expectativa é ter quatro Boeing 737-800 ainda neste ano – eles não têm data exata para chegar à Argentina. Em 2018, serão mais seis. O plano de frota é ter 30 aeronaves em 2021. Alguns deles, como indicou o CEO da empresa, podem ser comprados diretamente com a Boeing.

“Esperamos ter uma relação de longo prazo [com a Boeing] e começaremos novas negociações por uma compra de 50 Boeing 737 MAX 200.”
Julian Cook.

O Boeing 737 MAX 200 é a versão de alta densidade, com capacidade para até 200 passageiros. A Ryanair, principal cliente do modelo, vai configurar a aeronave para 197 assentos.

Rotas

O Ministério dos Transportes da Argentina oficializou em junho as rotas que a Flybondi poderá operar pelos próximos 15 anos. São 85 ao todo, sendo 43 domésticas e 42 internacionais.

No mercado interno, a empresa pretende voar para 33 destinos diferentes, com a maioria dos voos saindo de Buenos Aires. As outras rotas principais partem de Córdoba, Mendoza e Rosario. Em 2021, entretanto, a companhia espera estar operando em 43 destinos dentro da Argentina.

Já no âmbito internacional, os planos da Flybondi também são ambiciosos: 23 destinos. A maioria deles, 13, está no Brasil.

De Buenos Aires: São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Florianópolis, Porto Alegre, Recife, Curitiba, Fortaleza, Natal, Porto Seguro, Brasília, Belo Horizonte e Maceió.
De Córdoba: São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador.
De Bariloche: São Paulo.
De Mendoza: São Paulo e Rio de Janeiro.
De Rosario: São Paulo e Rio de Janeiro.
De Salta: São Paulo.
De Puerto Iguazu: São Paulo, Curitiba, Rio de Janeiro e Porto Alegre.

“O Brasil é um mercado de grandes oportunidades para a Flybondi. A Argentina tem vínculos muito próximos com o Brasil e alta movimentação de passageiros. Tanto para viagens a turismo ou trabalho, acreditamos que podemos melhorar a conectividade entre os dois países.”
Flybondi.

Além do Brasil, a Flybondi foi autorizada a voar para o Chile, Paraguai, Bolívia, Colômbia, Equador, Uruguai, Peru e Bolívia. Mesmo com as autorizações, a companhia ainda não informou quando pretende iniciar os voos internacionais.

El Palomar

Buenos Aires é o principal centro econômico e turístico da Argentina. Não por acaso que a maioria das rotas da Flybondi passa por lá. Entretanto, há um aspecto importante nos planos da empresa para a cidade.

Seguindo o modelo das low costs europeias, a Flybondi quer fugir dos principais aeroportos, no caso Ezeiza e Aeroparque, mais caros e saturados. A alternativa que se apresentou foi o aeroporto El Palomar, localizado a 14 quilômetros do centro de Buenos Aires e a cerca de 30 minutos de trem.

Flybondi usará o aeroporto El Palomar como base em Buenos Aires (Reprodução Google Earth)
Flybondi usará o aeroporto El Palomar como base em Buenos Aires (Reprodução Google Earth)

El Palomar, porém, ainda precisa passar por reformas para se tornar a base principal da Flybondi. A empresa aposta tanto no local que vai investir aproximadamente US$ 30 milhões em melhorias e novas obras em terminal de passageiros para 10 mil metros quadrados e estacionamento. Em troca, o governo concederá o uso da estrutura por 15 anos.

As intervenções, espera a Flybondi, devem começar e terminar em 2018, ao longo de um período de oito meses de trabalho.

“[El Palomar] Será uma base segura, moderna e eficiente, que nos permitirá melhorar a conectividade atual e oferecer a melhor experiência possível aos nossos passageiros. Além disso é um passo fundamental para o desenvolvimento do nosso modelo low cost e para poder oferecer os preços mais baixos do mercado.”
Julian Cook.

O aeroporto já chegou a receber voos regulares em 2010, quando o Aeroparque precisou ser fechado em alguns momentos para reformas. Além disso, a pista do El Palomar tem 2.100 metros de comprimento, suficiente para as operações com o Boeing 737-800.

Enquanto as intervenções no El Palomar não ficam prontas, a Flybondi vai iniciar as operações para Buenos Aires no Aeroparque.

Mas apesar de Buenos Aires ser o principal centro do país, a primeira base da companhia será em Córdoba. É de lá que a Flybondi pretende arrancar os voos para o restante da Argentina e onde ficarão as aeronaves no período de pernoite.

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