Impressão em 3D: a nova fronteira na fabricação de aviões

A impressão em 3D começa a dar sinais que vai ser parte fundamental na fabricação de aviões. O primeiro passo foi dado pela , que instalou uma peça de titânio impressa em três dimensões na produção em série do A350.

A peça é um suporte que faz parte do pilone da aeronave, na junção entre asas e motores, e foi construída usando tecnologia de camada aditiva (ALM, na sigla em inglês).

Essa tecnologia usa pó fino como material de base, que pode ser titânio, alumínio, aço inoxidável ou plástico, e é construído em camadas para dar forma às peças finais.

O uso de partes impressas em 3D em aeronaves é bastante novo. Até então, somente aviões de testes receberam peças criadas via ALM. No caso da Airbus, os protótipos de A320neo e A350 já voam dessa forma.

“Nós estamos no auge de uma mudança na eficiência e na redução de peso, produzindo partes de aviões que pesam entre 30% e 55% menos, enquanto reduzimos em 90% a matéria-prima utilizada.”
Peter Sander, vice-presidente de Tecnologias Emergentes e Conceitos da Airbus.

Isso significa economia, tanto para a própria fabricante, mas principalmente para as companhias aéreas. Com aeronaves mais leves, menos combustível é consumido e o custo operacional diminui.

Boeing

Não é só a Airbus que tem investido em peças impressas em 3D. A principal concorrente da fabricante europeia, a Boeing se aproximou na norueguesa Norsk Titanium AS para produzir partes em titânio dentro desse conceito.

As primeiras peças foram fabricadas e aprovadas pela Administração Federal da Aviação (FAA, na sigla em inglês) dos Estados Unidos. Elas serão inicialmente instaladas no Boeing 787, entretanto ainda não há uma data certa para quando as primeiras aeronaves voarão com essas partes.

“Nós estamos sempre buscando as tecnologias mais novas para reduzir custos e melhorar performance a valor agregado para nossos clientes.”
John Byrne, vice-presidente de Materiais e Estruturas da Boeing.

Motores

Peças impressas em 3D já voam em aeronaves comerciais. Tanto a CFM, joint-venture entre GE Aviation e Safran, como a Pratt & Whitney, usam o processo em partes dos motores que equipam aviões da Airbus, Boeing, Bombardier e Comac.

Desde 2015, os motores PW1500G que movem os aviões CS100 e CS300 contêm partes impressas em 3D. Da mesma forma, alguns modelos dos motores da CFM, da família LEAP, foram fabricadas em camada aditiva.

Motor Pratt & Whitney PW1500G tem peças impressas em 3D (Foto: Divulgação/Bombardier)
Motor Pratt & Whitney PW1500G tem peças impressas em 3D (Foto: Divulgação/Bombardier)

 

Gustavo Ribeiro
Fundador e editor-chefe do AviaçãoJor.

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