Modern quer quebrar mitos da carga aérea no Brasil

Empresa vai iniciar voos regulares em setembro e espera receber a segunda aeronave ainda em 2017

Quando a Modern Logistics recebeu seu Boeing 737-400 em fevereiro de 2016, não imaginou que precisaria aguardar tanto para iniciar os voos. O processo de certificação da aeronave demorou mais de um ano para sair. A espera, entretanto, chegou ao fim e a empresa já pode operar normalmente.

A companhia que vai iniciar os voos regulares em setembro quer quebrar o mito de que transporte de carga por via aérea é muito caro. O objetivo da empresa é mostrar todos os benefícios para o cliente, não apenas o valor do frete.

Sem querer entrar no ramo dos serviços postais, a Modern vai apostar em alguns mercados tradicionais, como Campinas e Manaus, e adequar as rotas de acordo com a demanda e a chegada de novos aviões. O segundo está sendo convertido e desembarca no Brasil ainda em 2017.

Confira entrevista com o vice-presidente da Modern Logistics, Adalberto Febeliano, que fala sobre os planos da empresa para 2017 e para os próximos anos.

A Modern aguardou mais de um ano pela certificação da aeronave e agora está com a licença para voos regulares. Esse período mais longo atrapalhou os planos da empresa?

Uma empresa aérea só pode operar quando tiver o certificado da Anac e isso demorou um pouco mais do que esperávamos. Esse processo é uma condição necessária, mas ainda não foi o suficiente. Preciso de equipe comercial, clientes, serviços.

Da maneira como são organizados os serviços aéreos no mundo, a certificação tem sido cada vez mais complexa e exigente. Nas linhas básicas da certificação, pela Icao (Organização da Aviação Civil Internacional), temos notado, infelizmente, que as regras e normas têm ficado mais rigorosas, seja para aeronaves ou aeroportos.

Quantos aviões a Modern espera ter ainda em 2017?

Estamos esperando o segundo avião. Já assinamos contrato de leasing e o avião está em processo de conversão. A previsão de entrega é outubro, se não houver atraso. Em novembro estaremos colocando para voar no Brasil.

Estamos buscando um terceiro avião, mas não estamos achando no mercado internacional nada de interessante em termos de preço e qualidade. Mas continuamos procurando.

Não há muitos Boeing 737-400 disponíveis…

As aeronaves foram fabricadas em número pequeno. Várias empresas ainda estão operando para passageiros e por isso não temos disponibilidade tão grande.

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A Modern cogita outro tipo de aeronave nessa categoria?

É muito complicado pensar em outro modelo de aeronave, porque torna a questão de equipe, tripulantes, mais complexa. Então não vemos nenhum motivo nesse momento para pensar em outro que não seja o 737-400 ou o 737-300, eventualmente.

O Boeing 737-400 é a aposta da Modern (Foto: Gerald Lee/Divulgação)
O Boeing 737-400 é a aposta da Modern (Foto: Gerald Lee/Divulgação)

Os planos de operar com ATR 72 cargueiro continuam?

Temos planos do ATR no futuro. Em muitos mercados do Brasil não conseguimos operar com Boeing, seja pela pista ou porque o volume de carga está longe das 20 toneladas do Boeing.

Antes precisamos ter uma malha funcionando. O transporte de uma maneira geral é uma atividade de rede. Na medida que vamos aumentando as conexões, os nós na malha, vamos facilitando a introdução nas rotas de menor densidade.

Como está a malha da Modern hoje?

Vamos começar as operações regulares em 5 de setembro. Vamos ver como é a resposta e vamos aumentando a frequência. Solicitamos o voo de Viracopos para Brasília, Brasília para Manaus, ida e volta. Primeiro será um voo por semana. Quando estiver tudo funcionando direitinho, serão duas vezes por semana.

E quais outros mercados a empresa planeja entrar?

Queremos voar para onde nossos clientes pedirem. Se Sinop é um mercado, vamos para lá. Não temos preconceito com mercados que vamos atender. Mas se pegar as estatísticas da Anac, vamos ver que Manaus é de longe a ligação com maior volume. Tem São Paulo, Recife, Rio de Janeiro, Porto Alegre. É só ir seguindo os dados históricos.

A Modern pretende, de alguma forma, servir também o transporte de carga para os Correios?

A princípio não. Não é nosso foco. O serviços postais são importantes, os Correios fazem um serviço notável pela abrangência. Mas não gostaríamos, a princípio, de prestar esse serviço.

Na Modern falamos de logística integrada e não gostaria de desviar os meus recursos, aeronaves, pilotos e capacidade de gestão para um serviço sem grande valor agregado, que não tem inteligência própria nenhuma. Queremos fazer algo diferente do que é feito hoje.

Os primeiros voos da Modern serão realizados em setembro (Foto: Gerald Lee/Divulgação)
Os primeiros voos da Modern serão realizados em setembro (Foto: Gerald Lee/Divulgação)

O que falta para o mercado compreender a importância e a facilidade do transporte de carga via aérea? Há um mito de que o custo é muito mais alto?

Um dos grandes desafios que os empresários precisam entender é que o custo não é o preço do frete. Vai além disso. É preciso ver a velocidade que está imprimindo, confiabilidade de entrega.

Existem situações que o transporte rodoviário não vai resolver. Ele cumpre um papel, mas tem suas limitações. Todos os transportes têm limitações, o aéreo também tem. O importante é ter a ferramenta certa, a melhor forma de fazer logística, e não pensar exclusivamente no preço do frete.

Se demoram 20 dias para entregar mercadorias, clientes no Norte, por exemplo, o transporte aéreo reduz isso para horas. Isso significa ganho financeiro, lucro no final da conta. Maior giro, maior segurança, confiabilidade, possibilidade de sincronizar melhor as necessidades. Isso o transporte aéreo consegue entregar.

E como mudar essa mentalidade?

A gente conversa com o cliente, mostra as alternativas, formas diferentes de logísticas existentes hoje. É um trabalho que já foi feito no passado e continua sendo feito.

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