HondaJet é a nova tendência mundial na aviação executiva

Aeronave da tradicional empresa japonesa foi o jato leve mais entregue no 1º semestre de 2017 e em breve voará no Brasil

Conhecida e reconhecida mundialmente pela fabricação de motos, carros e motores para a Fórmula 1, a Honda apostou alto em uma nova frente: aviões. E deu certo. Depois de quase 30 anos desde o início do projeto, o HondaJet não só está voando, como já se tornou o jato leve com maior número de entregas em todo o mundo.

Desde o primeiro exemplar entregue em dezembro de 2015, a aeronave tem visto uma procura intensa, aumentando seu ritmo de produção na fábrica da Honda Aircraft Company em Greensboro, no estado da Carolina do Norte, nos Estados Unidos, para cerca de 60 unidades ao ano atualmente. Há planos de chegar a 80 anuais até 2019.

A projeção ambiciosa está ancorada na demanda pelo HondaJet. Em 2016 foram 35 exemplares entregues. E de acordo com o ritmo de entregas até o primeiro semestre deste ano, o número deve ser superado facilmente.

De janeiro a junho de 2017, saíram 24 unidades do HondaJet das instalações da fabricante em Greensboro. Quantidade maior que a soma dos dois concorrentes diretos, o Phenom 100 e o Citation M2. Juntos, Embraer e Cessna entregaram 22 aviões.

“Nossos clientes estão extremamente contentes com a performance, conforto e acabamento do HondaJet. O avião é muito tecnológico e esportivo, e é como voar um carro esportivo de alta precisão.”
Michimasa Fujino, presidente e CEO da Honda Aircraft Company.

O executivo japonês, aliás, foi quem deu o passo inicial para o desenvolvimento do HondaJet, em 1986. Foram anos de pesquisa e desenvolvimento não só do avião, mas dos motores que o movem.

O primeiro voo ocorreu em 2003 e a certificação da Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA, na sigla em inglês) demorou dez anos para sair, abrindo caminho para as primeiras entregas.

Design e performance

A principal característica que diferencia o HondaJet dos concorrentes é o posicionamento dos motores. Ao invés de estarem unidos à fuselagem, eles foram montados acima das asas, em um conceito chamado de OTWEM (Over-The-Wing Engine Mount).

“Combinando o natural laminar flow [fluxo de ar laminar natural] no nariz e nas asas com os motores sobre as asas, o HondaJet tem menos arrasto, o que melhora a performance com menor consumo de combustível e menor nível de vibração e ruído. Isso deixa a experiência melhor para passageiros. É [um avião] muito silencioso.”
Philipe Figueiredo, diretor de vendas Líder Aviação, representante da Honda Aircraft Company no Brasil.

O HondaJet também apresenta dados de desempenho que têm chamado a atenção de clientes e pilotos. Um deles é a velocidade máxima, que chega a 422 nós (781 km/h). Em configuração de longo alcance, a velocidade de cruzeiro atinge 407 nós, acima da máxima dos concorrentes diretos.

Em termos de pilotagem, a aeronave foi projetada para reduzir ao máximo a carga de trabalho, sendo certificada para ser comandada por apenas um piloto. O grau de automação é ainda maior em situações de emergência, como despressurização e eventuais falhas nos motores.

HondaJet tem alto grau de automação para pilotagem (Foto: Divulgação/HondaJet)
HondaJet tem alto grau de automação para pilotagem (Foto: Divulgação/HondaJet)

Brasil

Seguindo as autorizações dadas por órgãos dos Estados Unidos, Canadá, México e Europa, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) certificou o HondaJet em agosto deste ano. Dessa forma, a aeronave pode ser registrada no país e voar normalmente, sem restrições.

Isso abriu o caminho para que o avião seja vendido no Brasil. Segundo a Líder Aviação, o HondaJet já vinha com uma fila de pedidos que devem se concretizar em vendas e entregas nos próximos meses.

“Não divulgamos nossos números, mas a partir do primeiro trimestre de 2018 teremos vários HondaJet voando pelo país.”
Philipe Figueiredo.

O otimismo em relação à inserção do HondaJet no mercado local está no próprio perfil dos clientes. O Brasil tem a segunda maior frota da aviação geral no mundo e é, portanto, um tradicional comprador de aeronaves executivas. Devido às dimensões continentais do país, os aviões se tornam uma ferramenta eficiente e rápida de transporte, principalmente para trabalho.

“Quando avaliamos o perfil para o HondaJet, vimos que 70% dos operadores no Brasil voam em média de duas a duas horas e meia com passageiros a bordo. É o tipo de aeronave para quem já é operador, principalmente de pistão e turboélice, e quer crescer e quer mais eficiência.”
Philipe Figueiredo.

HondaJet tem capacidade para 5 passageiros (Foto: Divulgação/HondaJet)
HondaJet tem capacidade para 5 passageiros (Foto: Divulgação/HondaJet)

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